quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

“Manual de Ervas para os ciclos femininos”

E-book Grátis: 

“Manual de Ervas para os ciclos femininos”

Este manual é fruto do trabalho da Acupunturista e Doula Mariana Almeida (Senhora Verde) que vem distribuindo livremente este conteúdo, por alguns anos, através de uma zine. Com o apoio do blog “Matricaria – Guia de ecologia feminina” a zine ganhou uma versão digital, para ser compartilhada entre muitas mulheres.
http://matricaria.com.br/ecologia-mulher/manual-de-ervas-para-os-ciclos-femininos/

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Óleos essenciais para gestação e parto



Para a gestação

- Óleo essencial de Cardamomo:
gelettaria cardamomum

Indicação: náuseas e azias na gestação
Forma de uso: inalação

- Óleo essencial de Mandarina verde e vermelha:
citrus nobillis

Indicação: previne estrias durante gestação
Forma de uso: massagem 
Obs: óleo fotossensível, exposição ao sol somente após 6h de uso

- Óleo essencial de Menta brasileira: 
mentha arvensis

Indicação: náuseas na gestação
Forma de uso: aromatização ambiental, fricção ou inalação.

Para o parto

- Óleo essencial de Cravo botão: 
eugenia caryophyllus
Indicação: analgésico, alivia dor do parto
Forma de uso: massagem
Obs.: diluir óleo essencial em óleo vegetal

- Óleo essencial de Nos moscada
myristoca fragrans

Indicação: Facilita o parto
Forma de uso: aromatização ambiental, inalação e massagem
Obs.: diluir em óleo vegetal

- Óleo essencial de Palmarosa: 
cymbopogon martinii

Indicação: tônico uterino, facilita o parto
Forma de uso: banho de assento e massagem

-  Óleo essencial de Sálvia sclarea: 
salvia sclarea

Indicação: facilita o parto
Forma de uso: aromatização de ambiente, inalação, massagem, banho de imersão

- Óleo essencial de Sangue de dragão
croton lechieri

Indicação: Os indígenas usam em banhos de assento e duchas vaginais na assepsia pré-parto e na cicatrização no pós-parto
Forma de uso: banho de assento

Forma de uso dos Óleos Essenciais

1. Aromatização Ambiental: pingue aproximadamente 12 gotas do óleo essencial na água e acrescente ao difusor ambiental

2. Banho: pingue 21 gotas do óleo essencial em 5 colheres de sopa de óleo vegetal e acrescente à água da banheira. Nunca acrescente o óleo essencial na banheira sem diluir em óleo vegetal.

3. Banho de assento: dilua 10 gotas do óleo essencial em 5 colheres de sopa do óleo vegetal e adicione à água do banho de assento.

4. Fricções: pingue entre 10 e 20 gotas do óleo essencial pelo corpo e e friccione vigorasamente.

5. Inalação: pingue 3 gotas do óleo essencial num lenço e inale ou pingue 2 gotas do óleo essencial no pulso e inale.

6. Massagem: pingue de 50 a 70 gotas em 120mL de óleo vegetal e utilize-o em massagens. 


Informações retiradas : 

terça-feira, 2 de dezembro de 2014

Por que alguns pais estão tirando os brinquedos tela de seus filhos?


Até um tempo atrás, um brinquedo só saía de cena pelas mãos de um adulto, quando a criança aprontava alguma. O brinquedo era tirado como forma de castigo, punição ou resolução de conflito.
Atualmente, além destas conhecidas e comuns situações, alguns pais começam a tirar de seus filhos um brinquedo que eles mesmos ofertaram: as telinhas. Desta vez, não porque a criança causou, mas porque o uso do “brinquedo” começa a mostrar um lado que muitos não acreditavam existir:
1) As telas ditam o que deve ser feito. É ela que domina a criança, e não o contrário. O que a princípio parecia uma ferramenta interativa e educativa, começa a ser visto como uma dominação corpo-mente. A criança deixa de ser quem decide, respondendo a mecanismos solicitados/esperados pelo “brinquedo”. De ativa, a criança torna-se passiva, o que é extremamente empobrecedor para seu potencial criativo e, consequentemente, seu desenvolvimento global.
2) Os brinquedos-tela exigem, em muitas situações, uma maturidade que a criança ainda não tem. Esta imaturidade para operar a máquina só é percebida quando situações reais aparecem – passar longo período do dia diante de seu magnetismo (deixando de lado outras formas de brincar), comprar jogos ou acessar conteúdos sem autorização (mesmo sabendo que não é permitido), se ver instigado ou obrigado a vencer e vencer, ter e ter, entre outras. Como toda máquina, os brinquedos-tela, especialmente os conectados à rede, precisam de um operador que o domine; um operador que realmente seja capaz de saber o momento de parar e prosseguir em todas as ações, para que ele possa dominar a máquina e não ser dominado por ela.
3) Os eletrônicos distanciam cada vez mais pessoas de pessoas. Momentos que poderiam ser ricos para troca e interação tornam-se momentos de isolamento e desinteresse pelo que está ao redor. Se o relacionamento afetivo e a curiosidade que o mundo desperta são motores para o aprendizado, as crianças debruçadas na tela estão sendo privadas do modo mais genuíno da díade ensinar-aprender.
Isto faz pensar em algumas questões importantes e necessárias que não se esgotam numa resposta única:
1) Estes “brinquedos” são para criança?
2) Existe momento certo para oferecer um brinquedo-tela à criança?
3) Orientar, limitar acesso, conteúdo e tempo de uso é suficiente?
4) É possível um uso seguro – no sentido mais amplo da palavra – das telas pela criança?
http://www.antroposofy.com.br/wordpress/por-que-alguns-pais-estao-tirando-os-brinquedos-tela-de-seus-filhos/#sthash.NeF2RqFe.dpuf

terça-feira, 25 de novembro de 2014

20 dicas para escolher a creche ou escolinha ideal para o seu filho


A hora de voltar ao trabalho e escolher uma creche ou escolinha para deixar o bebê ou o filho pequeno é um dos momentos mais difíceis para uma mãe. São muitos itens que os pais precisam observar na hora de escolher o melhor lugar para deixar seus filhos.
Para os bebês, é importante questionar se é possível levar o leite materno congelado para ser servido ao bebê e, é claro, como ele será armazenado, aquecido e servido pelas educadoras. Já para os bebês com mais de seis meses e crianças maiorzinhas, é importante observar o tipo de alimentação que é servida no local, ou seja, se oferecem frutas, sucos naturais e deixam de fora alimentos nada saudáveis como salsichas, refrigerantes, doces, entre outros itens que não devem fazer parte do cardápio dos pequenos.
Antes de escolher a escolinha, os pais também devem observar a higiene do espaço, ou seja, visitar a cozinha e analisar itens básicos de limpeza como, por exemplo, o uso de touca por parte das funcionárias do setor e os cuidados que tomam ao manusear e servir os alimentos. Muitas escolas estão agora nas férias de julho, mas estão com as matrículas abertas para novos alunos. Então, o Maternar fez uma lista com os 20 principais tópicos que devem ser observados na visita das escolinhas. Confira a seguir:

  1. Alimentação. Ideal é visitar as escolas nas horas das refeições para ver como o alimento é servido, se a alimentação é saudável. Dê preferência para escolas que contam com nutricionistas no preparo do cardápio. Ficar atento se é preciso levar ‘lanchinho’ ou pagar taxas extras ou se está tudo incluso.
  2. Leite materno. Questionar se a escola aceita levar o leite materno. Se os pais não querem que o filho use mamadeira que pode causar confusão de bicos e o bebê largar o seio materno, podem optar que o leite seja servido, por exemplo, em copinho. Importante saber se a escola também aquece o leite materno em banho-maria. Algumas escolas oferecem o ‘cantinho da mamãe’ para aquelas que podem ir na hora do almoço, por exemplo, amamentar o bebê.
  3.  Número de cuidadores por bebê. Não há uma regra de quantos cuidadores podem cuidar de um bebê, mas vale o bom senso dos pais ao observar o berçário e como as cuidadoras lidam com o número de crianças.   Segundo o Conselho Nacional de Educação, cada um deve cuidar, no máximo, de seis a oito crianças de até 2 anos, de 15 crianças até 3 anos e de 20 crianças de 4 até 6 anos.
  4. Formação dos cuidadores. Vale questionar se as cuidadoras têm pedagogia, se tem cursos de primeiro-socorro e qual é a proposta pedagógica da unidade.
  5. Choro do bebê. Pais devem observar e questionar se os cuidadores acolhem o bebê no colo ou se deixam ele chorando sozinho no berço ou na cadeirinha de balanço.
  6. Horário da soneca. O horário da soneca é igual para todos ou permitem que o bebê durma o quanto quiser? Principalmente para os pequenos, é importante manter a rotina do sono que têm em casa.
  7.  Atividades propostas. Perguntar qual a proposta pedagógica da escola, quais são as principais atividades para cada faixa etária, quais os brinquedos que ficam à disposição dos pequenos. Para os maiores, ver se há cursos como inglês, música, judô, natação, balé estão inclusos.
  8.  Uso da TV para distrair as crianças. A medida não deve ser usada, principalmente, para crianças menores de dois anos. Ideal é buscar escolas que tenham propostas de brincadeiras e atividades lúdicas para bebês e crianças.
  9. Banheiro. Os banheiros tem vasos sanitários pequenos para as crianças? Como é feito o desfralde e a partir de que idade. Ideal é que a escola, assim como os pais, respeite o tempo da criança.
  10.  Sistema de troca de fraldas e banho. Importante observar se as funcionárias usam materiais descartáveis, se usam luvas na troca de fraldas e se a troca de fraldas é feita com algodão ou lenços umedecidos. Observar se a escola pede para cada bebê levar a própria banheira ou se optam em forrar a da escola com material descartável. Questionar também se o banho é dado a cada vez que o bebê faz cocô.
  11.  Berço individual. O ideal é que cada criança tenha seu berço para a soneca com a sua própria roupa de cama. Se isso não é possível, o lençol deve ser trocado para que cada criança tenha o seu.
  12.  Banho de sol. Checar se a escola tem espaço para banho de sol e que o horário ele acontece. De manhã, ele deve ser até as 10h ou de tarde após as 16h.
  13. Uniforme. A partir de que idade é obrigatório, onde adquirir, valores.
  14. Piscinas, escadas, parquinho com balanças. Se existirem na escola, observar quais são os procedimentos de segurança para que as crianças não tenham livre acesso a locais perigosos. Observar se o parquinho está em bom estado de conservação.
  15.  Crianças doentes ou machucadas. Questionar se a escola medica ou liga para os pais antes para saber quais medicamentos ela pode tomar ou se eles preferem busca-la. Perguntar também os procedimentos adotados em caso de emergência, como engasgamento, queda grave, convulsão. Observar se a escola exige a caderneta de vacinação já que há pais que optam em não vacinar seus filhos
  16.  Controle de entrada e identificação de pessoas. Importante observar como funciona a portaria da unidade.  Qualquer pessoa pode entrar e buscar a criança? Como é feita a identificação dos responsáveis.  Questionar a direção se os pais podem entrar a hora que quiserem na unidade e se há flexibilização de horário, ou seja, se pode buscar o filho mais cedo ou mais tarde.
  17.  Férias e feriados. Escola emenda todos os feriados? Como funciona nas férias de julho e janeiro? Verificar o calendário escolar para verificar como adaptar os dias de funcionamento da escola com os seus no trabalho.
  18. Valores e taxas extras. Os pais devem questionar os valores não só das mensalidades, mas de taxas extras, como de materiais, cursos de férias, taxa de alimentação, entre outros que podem vir a ser cobrados depois.
  19. Localização da escola. Antes de bater o martelo, os pais devem escolher também a escola em um lugar de fácil acesso, ou seja, ou próximo da casa ou do trabalho deles. Dessa maneira fica mais fácil organizar a rotina da casa fora que é mais fácil chegar até a criança em caso de algum contratempo.
  20. Não existe escola perfeita. Dificilmente você vai achar uma escola que se encaixa em todos os pré-requisitos que você deseja, mas escolha aquela que tem mais a ver com a sua maneira de criar e educar seu filho, que esteja mais dentro dos seus valores. Boa sorte!

http://maternar.blogfolha.uol.com.br/2014/07/10/20-dicas-para-escolher-a-creche-ou-escolinha-ideal-para-o-seu-filho/

Filtro de Besteiras! - Por Chris Nicklas



Com a ajuda de minha parceira, a psicóloga e consultora em aleitamento materno, Bianca Balassiano, fiz um compilação das mais frequentes besteiras que as mães correm o risco de ouvir da boca dos pseudo profissionais do aleitamento materno. Aí vai a lista:
1-Vamos ver se você tem leite!
Hello!!!! O que mais eu teria nas mamas?! Gasolina?! A pergunta correta é: -Vamos ver se a pega do neném está correta, pois isso sim pode afetar a produção de leite!
2-Coloque os dedos em forma de tesoura na mama na hora de amamentar
Já sabemos que essa técnica pode atrapalhar o neném a fazer a pega correta pois às vezes sem perceber a mãe afasta a aréola da boca do neném. Por isso o indicado é fazer da mão uma pinça. ( quatro dedos abaixo da mama, dando suporte, e o polegar em cima )
3-Não coloque o neném deitado para mamar no peito pois pode causar otite!
Está comprovado que mamar deitado no peito não causa otite. O que causa é mamar a mamadeira deitado! Tudo em função do movimento da boca que é completamente diferente em um caso e em outro!
4-Não agasalhe o neném para ele não dormir durante a mamada
O neném, principalmente o recém nascido, dorme sim entre as mamadas. Imagine que você acabou de nascer, que já é em si um fato dramático, e ainda tem que passar frio pra não adormecer, oi?! Cuide com carinho de seu filho e deixe ele mamar no ritmo dele. Às vezes ele pode se cansar, afinal o esforço físico ao mamar é gigante para ele, e precisa descansar um pouco para depois recomeçar a mamada.
5-Se ele dormir acorde-o
Acho que a resposta anterior cobre essa também, né?
6-Seu neném é preguiçoso! Por isso não mama!
Não, ninguém nasce preguiçoso! Como eu disse, cada um tem seu ritmo! E esse ritmo vai também se modificando com o tempo, conforme o neném cresce. Observe, respeite e, principalmente nos primeiros meses, se faça disponível. É tudo que o seu filho precisa!
7-O leite ainda não desceu, é SÓ o colostro!
Como só o colostro?! Essa é a primeira vacina que seu filho recebe e acredite: é uma verdadeira bomba de potência! É importantíssimo para a saúde do seu filho. Além disso ajuda no funcionamento do intestino do neném que nunca recebeu nada para ser digerido. Ele foi feito pela natureza para fazer o organismo do seu filho começar a funcionar sem problemas! Não menospreze sua importância e diga: – Que bom aí vem o colostro!!!!
8-Seu neném está chorando de fome, melhor dar um complemento…
Dê o peito à vontade, acredite no aleitamento materno, você é um mamífero. Se você estiver insegura procure um profissional, competente e bem indicado, que te ensine a corrigir a pega do neném. Se a pega estiver errada o seu neném corre sim o risco de sair do peito ainda com fome, mas isso não quer dizer que você não é capaz de produzir leite suficiente para ele! Assim que você da um complemento o desmame começa e a sua produção de leite sempre estará em descompasso com o tamanho da fome do bebê.
9-Não deixe o bebê o tempo todo no colo senão vai ficar mimado!
Nenéns precisam do aconchego da mãe. O batimento cardíaco, o cheiro, a voz, a respiração da mãe são referências muito fortes para o bebê desde a barriga. Tudo isso o deixa mais calmo. Faça o que a sua intuição manda.
10-Não dê de mamar toda hora senão não dá tempo pro peito encher!
O peito não precisa estar cheio. Isso não é prova de que você tem leite. A mama não é um reservatório, é uma fábrica. Por isso ela produz o leite na hora que o neném começa a mamar. Inclusive depois dos três primeiros meses, se tudo estiver correndo bem, a mama praticamente vai voltar para o seu tamanho original e isso não quer dizer que o leite secou! Muitas mães se assustam com essa mudança e dão a mamadeira com complemento por se sentirem inseguras. Calma! O leite desce na hora que o neném mamar. E o que comprova que a produção está suficiente é o peso e o desenvolvimento do bebê e não o tamanho da mama, ok?
11-Quinze minutos em cada peito e basta! Se chorar mais é manha.
Esqueçam o relógio! O neném precisa chegar ao final da mamada para ingerir mais gordura. O tempo de cada bebê é diferente. Não tente padronizar seres humanos. Somos únicos.  Se você limitar o tempo de mamada seu filho não vai engordar! Deixe ele mamar à vontade até capotar! Ficar bem molinho e sonolento. Este é o sinal de que está saciado.
12-A mãe não pode comer chocolate, café, repolho ou feijão!
Não está comprovado cientificamente que essas coisas fazem mal ao bebê. Cada mãe vai ter que observar como sua dieta afeta o seu filho. Pode ser que para uma o feijão cause gases na criança e para outra não. O principal é não exagerar. Na coluna da Dra Ana Heloísa Gama ela explica melhor se a dieta da mãe afeta o bem estar da criança.
13-Seu leite é fraco, por isso o bebê não engorda!
Não existe leite fraco! Todas as mães produzem leite com a mesma “fórmula”. Isso já está comprovado cientificamente. Se o bebê está com dificuldades para ganhar peso é por que está fazendo a pega errada e a produção de leite demora mais a subir. Procure uma consultora em Aleitamento Materno e aprenda a ensinar seu filho a abocanhar a aréola toda! Essa é a grande dica!

Não fique chocada se você ouvir qualquer uma dessas coisas da boca de um profissional da saúde. É mais comum do que você imagina. A cultura do aleitamento é algo que o Brasil vem tentando recuperar e ainda há muita falta de informação. Mas vamos chegar lá!
http://www.amamentareh.com.br/filtro-besteiras/

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

"Desculpe-me por ser criança" - Quando o mundo não acolhe osvulneráveis - Por Ligia Moreiras Sena

Tudo o que muitos de nós querem hoje é fazer parte de um mundo menos violento, mais equânime, onde todos sejam respeitados e acolhidos em suas diferenças, dificuldades e vulnerabilidades. E queremos isso porque vivemos no oposto. Em meio a individualismos extremos e de negação do outro. Onde o tempo é servo do produtivismo. Em meio à fragilidade dos laços humanos, dos vínculos líquidos baseados em desconfiança, competitividade e egocentrismo. Eu sei que dói ler isso, afinal é de nós que estamos falando, de mim, de você, de nossos pares, e não é nada legal reconhecer que, não, não somos toda essa maravilha de espécie biológica que nos fizeram crer que somos apenas porque temos um tal de neocórtex altamente desenvolvido.
Mas olhe, vá por mim. Se nós queremos um mundo um tantinho mais bacana, menos violento, mais empático, é bobagem achar que é o outro quem vai ter que fazer isso. Ou que é "a sociedade". Não é. A sociedade é você. Sou eu. Somos nós. Nós é que vamos ter que mudar. Revendo conceitos, colocando a mão na massa, mudando atitudes, tornando-nos pró-ativos, assumindo a parte que nos cabe em cada latifúndio desse imenso território chamado vida.
Nesse processo de mudança, é imperioso que privilegiemos os vulneráveis. Aqueles que não desfrutam de autonomia para decidir por si e reivindicar seus próprios direitos. E que, por não serem sujeitos de sua própria autonomia, têm suas diferenças transformadas em uma desigualdade que pode sujeitá-lo - e que de fato o tem sujeitado - a situações de ainda mais opressão, julgamentos e exclusões.
Como as crianças. 
Precisamos falar sobre as crianças...
Crianças são vulneráveis. Crianças não podem proteger a si mesmas, de forma que precisam que seus cuidadores as protejam e defendam seus interesses.
Crianças choram. Crianças não entendem coisas que para nós são absolutamente fáceis de entender - ou deveriam ser. Crianças, especialmente os bebês, ainda não adquiriram noção de protocolo social, de práticas socialmente aceitáveis, de que tempo é dinheiro, de que não se faz xixi ou cocô apenas em determinados lugares e de que "é preciso" mentir sobre a indelicadeza recebida apenas para fazer o social. Crianças podem se sentir amedrontadas e acuadas em ambientes fechados, pequenos, cheios, desconhecidos, onde pessoas estranhas estão sentadas ao seu lado, onde precisarão ter seus movimentos cerceados, onde não poderão mexer, correr, gritar. Pode parecer surpreendente para alguns. Mas crianças choram, correm, mexem, gritam, perguntam seu nome, quantos anos você tem, se a moça ao seu lado - que você nunca viu - é sua namorada ou que cheiro estranho é esse que você chama de perfume. Acredite você ou não, é isso o que uma criança faz.
Portanto, se você estiver em um avião e uma criança chorar, saiba que ali há uma criança sendo criança. E não só. Também há um adulto constrangido e tentando contornar a situação. Pouco importa se você não dormiu na noite anterior, se está indo para um compromisso tenso ou se está querendo curtir a música do seu IPad. Eu sei que parece cruel com você dizer isso, mas essa é a verdade: pouco importa. Porque assim como você, ali estão cerca de 100, 150 pessoas não vulneráveis que têm diferentes necessidades naquele momento, e as suas são apenas algumas delas. Não as mais importantes. Naquele mundo bacana do início do texto, é regra que privilegiemos em nossas atitudes justamente os vulneráveis. Aqueles que precisam que NÓS os protejamos, os cuidemos, zelemos por sua integridade física, psíquica, material. Ainda que você não tenha filhos, ainda que não os queira ter, saiba que é também sua a responsabilidade por aquela criança que está chorando ou irritada por não poder andar, correr, brincar. E isso não é um pensamento moderninho, fruto desse "modismo" (jura?) de pensar no bem estar das crianças. O ditado africano "É preciso toda uma aldeia para criar uma criança" não é novo, é até bem antigo. E absolutamente verdadeiro. O seu comportamento, a forma como você irá se posicionar em um momento como esse ajudará a manter o mundo violento ou a transformá-lo em um local gentil. A sua indiferença, raiva e hostilidade farão algumas vítimas: a criança, os cuidadores, os demais passageiros. A criança não vai parar de chorar apenas porque você assim deseja e seus pais ficarão muito desconfortáveis e sem graça por não conseguirem fazer com que ela obedeça ao seu desejo. Um pai e uma mãe desconfortáveis ou sem graça transfere esse sentimento diretamente para a criança. Então, sinto lhe dizer, mas a chance de que o choro aumente é grande... Mas o seu acolhimento, compreensão, empatia e gentileza podem ajudar a melhorar esse pequeno mundo chamado "voo". Uma palavra amiga. Um gesto gentil. Uma oferta respeitosa de ajuda. Um copo de água para o cuidador. A oferta de um brinquedo, caso você tenha algum por ali. Uma mão no ombro dizendo: "Criança chora mesmo, não se preocupe, nós entendemos". Isso pode mudar tudo, inclusive a você mesmo. Num mundo bacana, é você quem precisa amparar o vulnerável. E não o vulnerável te presentear com balas e um pedido de desculpas por estar manifestando sua vulnerabilidade, como vimos essa semana no gesto dos pais norte-americanos de presentear os passageiros com balas e tampões como um pedido antecipado de desculpas pelo choro de seu bebê durante o voo. Compreendo perfeitamente a angústia que viveram a ponto de agirem assim. Mas eles é quem precisam ser amparados. Não os passageiros.
É preciso que a sociedade - portanto eu e você - pare de tentar excluir a criança e seu repertório do convívio social. Entre todos os grupos de vulnerabilidade, a "criança" é aquela que deveria contar com maior dose de empatia pelo simples fato de que todos já passamos, ou ainda estamos passando, por essa fase. Por que, então, é tão fácil menosprezá-las e considerá-las estorvos sociais quando são, na verdade, o humano em nós? O que isso diz sobre nossa (des)humanidade?
Você não tem obrigação de ser bacana, de ir lá ajudar a família, de mostrar um sorriso. Nesse "mundo livre" você tem total liberdade inclusive para ser um egoísta e chamar o comissário para reclamar do bebê que, por chorar, o está incomodando, ou de ser hostil, ou de fazer piada sem graça para o tripulante ao seu lado. Mas nesse caso, aquele mundo bacana do início do texto não lhe pertence nem pertencerá. Nele, só estarão os que preferem compreender a atacar, acolher a julgar, ser pró-ativo a acomodar-se, oferecer um sorriso aos cuidadores a olhá-los com reprovação. E aí, quando você for exercer seu direito cidadão de cobrar dos governantes que acabem logo com "toda essa violência que aí está" aceite que é também de si próprio que está falando.
É hora de fazer a sua escolha. De que lado você quer estar? Qual é o seu mundo ideal?
http://www.brasilpost.com.br/ligia-moreiras-sena/desculpeme-por-ser-crianca_b_6149708.html?utm_hp_ref=brasil-familia