quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Brinquinho? Mas será que ela quer? - Por Silvia Mattoso

A inevitável pergunta da primeira consulta de uma recém nascida menina: Qual a melhor hora para furar a orelhinha? A hora que ela quiser, eu respondo. E aí vejo um olhão arregalado assim ó! Mas como? Mas depois não vai doer mais? Mas se ela for maiorzinha não vai querer deixar… Mas a avó já deu um brinquinho…

Gente, calma. Vamos por os neurônios para trabalhar ANTES de ir aceitando tudo o que é “protocolado” pela sociedade?

Nenê menina tem que furar a orelha. 
Nenê menino tem que operar a fimose.
QUEM disse?
Que ditadura é essa? Pensemos…E bem na hora que começamos a pensar alguém pergunta: mas qual o problema?

Bom, vários. Penso assim: um recém nascido precisa de muitos cuidados. Limpar o bum bum, a xoxota, o umbigo… cada coisa do seu jeito. E para as meninas de orelha furada, limpar o brinquinho. Girar o brinquinho. Imagina: incomoda, gente. Imagina: que mulher adulta consegue dormir de brinco? Você tira ou não os seus brincos antes de dormir e tomar banho? E você tem uma orelhona, tarimbada já, de adulta. E a bebezinha? Uma micro orelhinha com uma coisa cutucando atrás. Atrapalha sim, atrapalha para dormir e para ela se acomodar nos seus braços na hora de mamar. Fica lá aquele treco cutucando…

Ah, mas não dói para furar. Quem disse? Todo mundo sabe que dói. Isso é balela! Recém nascido sente dor sim… não é porque o bebê não se comunica de forma verbal que ele não sente dor. Tanto sente que há protocolos nas UTIs e Unidades neonatais para quantificar a dor do bebê que está internado. E mais, não dá um super dó na hora de colher o exame do pezinho? Que mãe não fica de coração apertado nesta hora? E olha que é um furo só, hein? Um troço totalmente indispensável, e a gente SABE que precisa fazer. Pergunto então, porque que temos que aguentar o nosso coração apertar da mesma forma, para furar a orelhinha? Porque passar por isso? Que convenção é essa tão rígida que algumas mães engolem e, com o maior dó, vão furar as orelhas de suas bebês?

Definitivamente não. Eu não passei por isso. É infinitamente melhor aguentar a indignação das pessoas do que a dor de ver um recém nascido ser agulhado sem necessidade… por vaidade dos adultos, já que a bebezinha  não tem a menor ideia do que é brinco e do porque se furam as orelhas.Não é porque um bebê não articula palavras e nem retruca com argumentos que não podemos perguntar (ao nosso íntimo, que seja) mas será que ela quer?

Estão lá na gaveta, os dois pares de brincos que Analu ganhou. A princípio guardados para quando ele completasse um ano… quem sabe eu a levasse a um acupunturista para fazer o furo… E o tempo foi passando… ela está com três anos, linda, de cabelos cacheados, cheio de fitinhas e fivelinhas, ama vestido e tons de rosa… os brincos? Continuam lá. E eu, quando ela quiser, quando ela estiver disposta a sentir duas agulhadas, a levarei para furar as orelhas. E darei muito colo se o choro vier… como sempre fiz, mas tranquila e sem aperto no coração, por saber que a escolha foi dela.

(fotos retiradas do google)

Banho relaxante: Thalasso Bain

       Sonia Rochel é uma enfermeira parisiense, auxiliar de puericultura e especialista neonatal que criou uma modalidade de banho para recém nascidos até os dois meses chamada de Thalasso Bain Bèbè ou The Baby Spa. Esse banho acalma os bebês e os traz a lembrança de como era a vida no útero.

      Além de enfermeira de recém-nascidos desde 1978, a parisiense tem 4 filhos, 5 netos e acredita que o banho é fundamental não só para os bebês, mas também para seus pais. A finalidade de uma parte do seu trabalho é mostrar a maternidades e aos pais o quão importante é o banho do bebê.

      Rochel passou mais de 10 anos desenvolvendo essa técnica, que consiste em massagens em uma ducha de água constante e morna, com movimentos e música suave. Ela acredita que a hora do banho é uma parte tão importante dos cuidados com o bebê, mas muitas vezes esquecido e tratado como apenas mais uma coisa na lista para fazer de cuidar de um bebê novo.

     Ela incentiva os pais a estarem fisicamente e mentalmente disponível para seus bebês na hora do banho. Para ela, é importante que tanto o bebê quanto a pessoa que dá o banho no bebê, aproveitem esse momento. Ela ainda recomenda reservar até 10 minutos para este tipo de banho.

     Outra coisa que ela recomenda é não usar sabão todos os dias, pois é mais saudável para a pele do bebê. O que ela também aprendeu ao longo dos anos é que os bebês preferem as mãos ao invés de flanelas ou esponjas.

     Ela mergulha o bebê na água, muito lenta e suavemente e usa movimentos suaves de balanço. Ela segura o bebê de tal forma que você não pode deixar de pensar: "Isso é o que ele deve ter sentido no interior do útero ..." Ela também permite que a água corra sobre o bebê, o rosto incluído, mas sempre mantendo o nariz e boca aberta para respirar. Não só ajudam a manter o bebê quente durante todo esse banho de luxo, mas também é tão relaxante, que facilita o bebê dormir.

     Então, ela termina o banho colocando o bebê em uma grande toalha macia, amorosamente tranquiliza o bebê com sua voz e o abraça com os movimentos das mãos terminando com uma massagem relaxante no bebê.

Abaixo alguns vídeos desse banho maravilhoso:








terça-feira, 28 de outubro de 2014

9 fatos surpreendentes sobre circular de cordão


   Circular de cordão (cordão umbilical ao redor do pescoço) é uma das muitas coisas que causam medo nas futuras mães em relação ao parto. O pensamento de que seu precioso bebê está sendo "estrangulado" pelo cordão umbilical pode causar muita preocupação.

   Felizmente, o bebê antes de nascer obtém nutrientes e oxigênio pelo cordão umbilical, não pela respiração por seu nariz ou boca, o que pode eliminar um pouco desse medo. Eles não precisam do seu pescoço para respirar.

   Essa é uma das muitas razões pelas quais é importante deixar o cordão umbilical intacto (sem cortar) por no mínimo 2 minutos depois do nascimento, porque é o sistema de suporte da vida do bebê até o nascimento da cabeça. É a mesma razão do porque os bebês não se afogam durante o parto na água, porque eles tem um um suprimento de oxigênio disponível, e eles não tem sua primeira respiração até serem estimulados pelo ar. 

   Aqui estão alguns fatos interessantes sobre o cordão umbilical que toda futura mãe e futuro pai precisam saber antes do parto...

1. Até um terço dos bebês nascem com o cordão umbilical ao redor do pescoço

   É comum ouvir histórias de bebês que nasceram com o cordão enrolado no pescoço - e a razão para isso é porque é muito comum! Alguns médicos e parteiras nem sequer mencionam isso durante o parto porque eles tendem a dar um laço ao redor do pescoço quando o bebê está coroando, e isso não é grande coisa. Idealmente o cordão deveria ser deixado sozinho durante o parto para prevenir futuras compressões ou complicações. 

   Estudos relatam valores de que até um terço dos bebês nascem com o cordão ao redor do pescoço - isto é, 1 em cada 3 bebês, que é o mesmo número de nascimentos por cesárea na Austrália e nos Estados Unidos. Dificilmente um raro evento.

  Os cordões vêm numa gama de comprimentos, e nos estudos, os comprimentos de cordão variaram de 19 a 133 centímetros. Entretanto, o tamanho médio dos cordões umbilicais ficou ao redor de 50-60 centímetros de comprimento.

   O estudo acima declarou: " Nesse estudo, os longos cordões umbilicais parecem estar associados com o aumento das taxas de múltiplas circulares de cordão e verdadeiros nós umbilicais... Entretanto, cordões umbilicais longos não contribuiram para resultados perinatais adversos. Em teoria, o movimento do feto produz uma tensão no cordão que cria grande comprimento livre para entregar mais comprimento do cordão enrolado. Embora um cordão emaranhado possa estar em risco de oclusão intermitente ou oclusão parcial (bloqueio) do fluxo de sangue umbilical conforme relatado anteriormente, o excessivamente longo cordão pode ter efeito auto-protetor para proteger o feto dos riscos de diminuição do fluxo de sangue umbilical."

   " Todos meus 3 bebês tiveram o cordão enrolado ao redor de seus pescoços duas vezes ao redor de dois deles" - Jessica.

   Então com um cordão longo, alguns bebês parecem jogar "Skippy" com sua mãe no útero.


2. Um cordão umbilical saudável é protegido por um escorregadio e macio revestimento.

   O corpo humano é sempre surpreendente com seu design inteligente, que foi construído para garantir a sobrevivência como espécie. Mesmo o cordão umbilical tem seus truques.
  Um cordão umbilical normal, saudável, é espessamente revestido com geleia de Wharton, uma substância mole e gelatinosa, que protege os vasos sanguíneos no interior do cordão. Esta substância faz com que o cordão deslize, protegendo o cordão contra a compressão, como resultado dos movimentos normais do bebé.

   Se uma condição médica estiver impactando na quantidade de geléia de Wharton em torno do cordão, então talvez isso possa causar complicações. No entanto, o cordão umbilical é cuidadosamente desenhado para a vida para uterina.

   "Meu primeiro bebê tinha o cordão em volta do pescoço, cintura e tornozelo. A parteira não se lembrava da última vez que vi um cordão tão longo! "- Anna.

3. O cordão umbilical não fica mais apertado com o avanço do trabalho de parto

   Em seu fantástico artigo Cordão Umbilical: O Perfeito Bode Expiatório, a parteira e professora Rachel Reed explica: 

  " O bebê não é sustentado pelo cordão porque todo o pacote - fundo (parte de cima do útero), placenta e cordão estão todos movendo-se juntos. O útero 'encolhe' (contraçōes) movendo o bebê  para baixo junto com sua placenta e cordão. Quando a cabeça do bebê se move na vagina alguns centímetros extras de cordão são necessários. No entanto, quando uma cesárea é feita por 'estresse fetal' ou 'falta de progresso' durante o trabalho de parto, a presença da circular de cordão é frequentemente usada como razão... "Ah ha veja - seu bebê está estressado por causa do cordão ao redor do pescoço" ou " ... " o cordão estava parando o movimento do bebê para baixo". É improvável que o cordão tenha alguma coisa a haver com o estresse ou a falta de progresso. 

   Algumas mulheres dizem que o batimento cardíaco de seus bebês estava caindo quando elas estavam empurrando. Estudos têm demonstrado que isso é um comportamento normal para um bebê que está enfrentando pressão ao redor da cabeça. 

   Um estudo concluiu: " Houve uma incidência muito alta de FHR anormal (frequência cardíaca fetal) durante o segundo estágio do trabalho de parto, entretanto, a maioria dos casos foram respostas à estimulação parassimpática devido a compressão do cordão umbilical ou da cabeça fetal pelas mães no momento de pressão e descida da cabeça, ou diminuição temporal do fluxo de sangue para a placenta uterina. Isso sugere que é desnecessário interferir imediatamente, ao menos que seja um  verdadeiro sofrimento fetal."

   Dar à luz na posição vertical pode ajudar -  estar na posição deitada de costas pode torná-lo pior (e mais doloroso).

   "3 dos meus 4 bebês tinha cordão em volta do pescoço, sem problemas. Meu último teve o corte do cordão atrasado também. "- Jessica.

4. Cordão ao redor do pescoço não está associado a resultados adversos

   Isso pode ser difícil de acreditar ou ouvir, especialmente se você perdeu um bebê e ele tinha o cordão em torno do pescoço. Compreensivelmente você quer respostas. No entanto, vários estudos têm relatado que um cordão em volta do pescoço é improvável que seja a principal causa para os resultados adversos.

Este estudo concluiu que: " Circular de cordão não está associado com resultados perinatais adversos. Então, induzir o trabalho de parto em tal caso é provavelmente desnecessário."

Outro estudo chegou a mesma conclusão. O cordão pode estar ao redor do pescoço do bebê (que é muito comum de estar como dito acima) mas muitas outras questões podem causar resultados adversos que podem ser desconhecidas no momento, culpar a circular de cordão é muito fácil. Natimorto ainda é uma área de muita pesquisa, e até mesmo médicos e pesquisadores não podem ter certeza das causas de todos os casos.

5. Mesmo com uma 'apertada' circular de cordão, não há aumento de riscos de acidentes com o cordão.

   Mesmo uma apertada circular de cordão não é incomum. Um estudo recente descobriu que uma apertada circular de cordão ocorre em 6,6% dos mais de 200.000 nascimentos consecutivos, onde  foram classificados como incapazes de desenrolar manualmente da cabeça do bebê.

Em suas conclusões, afirmam:

   " Aqueles com uma apertada circular de cordão não eram mais propensps a ter dopamina administrada ou hemoglobina arterial medidas no primeiro dia, nem eram mais propensos a receber uma transfusão e também não eram mais propensos a morrer."

   " Meu filho teve o cordão enrolado ao redor do pescoço duas vezes. Eu me assustei no início quando o médico nos contou isso, mas a calma dele me ajudou a me reestabelecer. Pensei que se ele não estava em pânico eu também não deveria estar. " - Robin.

6. Circular de cordão não é uma indicação de cesárea

   A Escola de Ginecologia e Obstetrícia do Reino Unido aconselha que não há razão para realizar uma cesárea devido a uma circular de cordão.

   Eles dizem, " Não há estudos que mostrem a efetividade da cesárea na presença de circular de cordão. "

   Rachel Reed concorda que não há razão para realizar uma cesariana justificada pela circular de cordão. " Eles raramente causam problemas. Por que não esperar e fazer um cesárea se/quando um problema ocorrer? Se você realmente quer evitar complicações relativas ao cordão, então não rompa membranas para evitar a compressão do cordão - é muito maior o risco do que uma circular de cordão. Aliás, quando o cordão está ao redor do pescoço ele muitas vezes está protegido de compressão.

"Meu primeiro bebê teve seu cordão em volta do pescoço, e deve ter estado em torno dele há algum tempo porque eu fiz uma ecografia de 32 semanas e eles não podiam obter uma visão clara de sua mão esquerda. Ela nasceu com a mão enrolada no cordão também." -  Shauna.

 7. Acidentes com circular de cordão são muito raros

   Infelizmente, em uma pequena porcentagem dos nascimentos, acidentes com o cordão acontecem - e eles não são todos devido ao cordão simplesmente estar ao redor do pescoço de um bebê.

   De acordo com um recente relatório do Instituto Australiano de Saúde e Bem-Estar, 1 de cada 135 (0,74%) dos bebês nascidos na Austrália eram natimortos. Nos Estados Unidos é 1 a cada 160 nascimentos. Embora a classificação de um natimorto varie ao redor do mundo, na Austrália, um natimorto é classificado como 'bebê que ao nascer não apresentou sinais de vida, depois de 20 semanas de gestação ou pesando 400g ou mais.'

   Um estudo no Jornal da Associação Médica Americana encontrou que questões placentárias (por exemplo, descolamento prematuro de placenta) foram as principais causas de 26% dos natimortos, que era semelhante a um estudo realizado na Suécia. Num outro 14 - 19% dos natimortos foram devido a infecção. Quanto a anormalidades no cordão, 10% foi devido a problemas no cordão (ou foram assumidos como, pois os médicos nem sempre sabe o que causou a morte fetal). A gama de problemas de cordão incluem vasa previa, aprisionamento de cordão, oclusão (bloqueio), hipóxia fetal e prolapso. Eles afirmaram: 

   " Circular de cordão por si só não foi considerada uma causa de mortes. A importante causa de óbitos fetais tem sido um pouco negligenciada em estudos anteriores, devido à dificuldade em diferenciar entre circulares de cordão inofensivos e cordões associados a condições fisiopatológicas que levam ao óbito.

   Quando você faz a matemática, a probabilidade de um genuíno acidente com o cordão por ele estar ao redor do pescoço do bebê é muito pequena - e de fato não pode ser o problema sobrejacente em tudo.

   " Meu filho tinha o cordão enrolado ao redor do pescoço quando nasceu em casa, na água, em setembro de 2013. Não é grande coisa, eu mesma desenrolei! Eu também tive o cordão enrolado no nascimento. É normal. " Guðrún.

8. Mesmo múltiplas voltas não são mais prejudiciais

   O número de voltas não é importante, lembrando que em cima há o útero, placenta e o cordão e todos eles se movem para baixo com o bebê durante o trabalho de parto.

   Rachel Reed diz: "... desde que o cordão seja longo o suficiente para a cabeça do bebê sair (ou seja, o comprimento da vagina - o que não é longo), então o resto do bebê pode sair. É extremamente raro - mas possível - que o cordão seja muito curto para permitir a descida do bebê. Então você teria uma falta de progresso e eventual sofrimento fetal... Frequentemente esses bebês estão em uma posição pélvica antes do parto."

   Um estudo encontrou que o número de voltas da circular de cordão varia entre 1 e 4, e a presença de 2 voltas ou mais do cordão ao redor do pescoço foi relatada afetar entre 2.5% e 8.3% de todas as gestações. Eles afirmam " 0.1% dos bebês têm 4 ou mais voltas de cordão ao redor do pescoço e o número máximo relatado foi 9." O estudo também mencionou que a maioria dos bebês do estudo apresentaram escore de Apgar de 7 - 10 (onde 10 é o melhor escore) depois de um minuto e somente oito bebês tiveram escore de Apgar menor que 7 depois de cinco minutos (5.2%) sugerindo que qualquer efeito possível é apenas transitório."

   " Meu bebê teve seu cordão ao redor do pescoço e debaixo do braço. Absolutamente sem complicações e não foi assustador para nós. Tudo ficaria bem!" - Ashley

9. É normalmente outra intervenção que causa sofrimento fetal... E então a cesárea

   Indução do trabalho de parto, especialmente com a oxitocina sintética (syntocinon na Austrália ou pitocin nos Estados Unidos) pode causar sofrimento fetal. Uma vez que ela esteja gotejando, ela permanecerá até você dar à luz. A maioria das mães aceita uma epidural (ou outro alivio de dor) depois da indução do trabalho de parto com esse método de indução, porque ele pode fazer o útero contrair de forma muito forte - e isso não é a atitude natural das contrações do trabalho de parto. Nesse momento, a futura mãe pode sentir uma coisa e não saber o que está ocorrendo dentro dela. O sangue e o suprimento de oxigênio são comprimidos (muitas vezes porque a mãe está agora imobilizada, deitada de costas) o que eventualmente, pode causar no bebê o sofrimento fetal... Requisitando uma cesárea de emergência. Embora, se ocorrer de o bebê estar com o cordão ao redor do pescoço, é provável que isso seja usado como a razão para a cesárea.

Como reduzir os riscos de uma situação estressante no parto:

   As melhores coisas que você pode fazer se você quiser evitar o stress e complicações (por exemplo sofrimento fetal) quando o bebê está nascendo, é evitar induções do trabalho de parto e evitar deitar de costas (que é inevitável se você tiver uma epidural, e comum se você tem uma indução com ocitocina sintética).

   Além disso, se você tem uma epidural, você vai estar preso na cama e não pode mover seu corpo, assim, seu bebê não tem ajuda para descer para a posição ideal. Isso pode resultar em dificuldades de nascer, requerendo fórceps ou vácuo, ou pior caso, a cesariana. Buscar boa informação, e não apenas o que se ouve de amigos ou familiares, é crucial para o melhor resultado. Nós pesquisamos nossas grandes compras antes de comprá-las; Temos de estudar os principais eventos da vida que nós nunca vamos esquecer também. Ter uma doula pode reduzir a incidência de muitas das intervenções.

   Leia os nossos artigos sobre os riscos de indução do parto, os riscos de epidurais e os benefícios de doulas.

   Lembre-se: Às vezes, médicos e parteiras simplesmente não sabem.

   Pode ser a última coisa que você quer ouvir (e a última coisa que os prestadores de cuidados querem dizer), mas, por vezes, os médicos simplesmente não sabem por que as complicações ocorreram. Pode ser especialmente difícil quando se olha para algo tão óbvio como um cordão em volta do pescoço, e os pais estão compreensivelmente emocionados e desesperados por respostas.

   A concepção é uma coisa misteriosa e mágica. É complicado, mas simples ao mesmo tempo - e o mesmo acontece com o nascimento. Tudo o que podemos fazer é confiar no processo. Enquanto a vida às vezes joga alguns eventos angustiantes no nosso caminho, onde as coisas não saem como esperávamos e sonhamos, às vezes não há nada ou ninguém para culpar. Mas não se sinta para baixo, porque a Mãe Natureza funciona lindamente a grande maioria das vezes - a população do planeta é prova disso.

Um cordão ao redor do pescoço não é para ser temido.

Tradução de Patrícia Fietz para Maternidade Nativa

http://www.bellybelly.com.au/birth/surprising-facts-about-the-cord-around-a-babys-neck#.VE-ZXniCOSN







segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Por que não explicar tudo para a criança pequena


O ser humano leva 21 anos para adquirir maior consciência das coisas. Esse tempo é o tempo que o sistema nervoso central leva para mielinizar todas suas células nervosas, isto é, deixa-las maduras. Essa bainha de mielina é a responsável pelas conexões nervosas (sinapses) entre os neurônios. Nos primeiros anos de vida, até a troca dos dentes, por volta dos seis anos, a mielinização para a aprendizagem está sendo formada. A consciência da criança está ainda num estado de sono nesta etapa da infância,ou seja, ela não tem consciência das coisas como nós adultos já  a temos. Por isso que a criança é criança e depende de nós para tudo. Ela não tem discernimento, crítica e julgamento ainda sobre as coisas da vida.


Ter consciência significa fazer as sinapses entre os neurônios. Nas sinapses há um dispêndio de energia muito grande. Por isso que quando prestamos atenção em algo ou quando usamos por demais nossos órgãos dos sentidos nos sentimos cansados. À noite necessitamos dormir para repor essa energia gasta durante o dia de vigília, de atenção a tudo.
Em antroposofia costumamos dizer que nos sete primeiros anos o corpo da vida ( vital, ou etérico) da criança está sendo plasmado, formado. Seus órgãos ao nascer não estavam de todo amadurecidos e para que esse amadurecimento ocorra é necessário ter energia, vitalidade. Lembre-se sempre que consciência é gasto de energia, é queima de substância cerebral.
O cérebro também é um órgão e ele é a base para o pensamento. Se a criança até três anos está formando cérebro para pensar como é que ela pode usá-lo pensando? Não se cozinha feijão numa panela que ainda está sendo feita! Como a criança ainda não tem a coordenação fina pronta porque lhe dar um lápis, uma agulha? Se ela ainda não se administra nos perigos porque lhe dar a tesoura, a faca?
Outros órgãos como o fígado, pulmões, coração, rins, estão amadurecendo também e quando exigimos da criança que aprenda algo com a cabecinha, ou entenda as coisas como nós queremos que ela entenda, estamos fazendo com que ela use essas forças formativas que estão plasmando os órgãos para a compreensão e o entendimento e aí nós as DESVITALIZAMOS e promovemos uma má formação dos órgãos PARA O RESTO DE SUAS VIDAS!
Já está provado pela ciência que o avanço da doença ALZHEIMER é também decorrente de uma exigência precoce do sistema neurosensorial na infância. Rudolf Steiner cita muitas vezes esse fator em seus livros. Por isso que a Pedagogia Waldorf, por estar baseada numa ciência antroposófica, preocupada em formar seres humanos saudáveis, verdadeiros e livres, é totalmente contra a alfabetização precoce. Essa pedagogia prima por excelência pela saúde física, emocional, mental e espiritual da criança e do adolescente principalmente no período de seu desenvolvimento.
Hoje, com essa mania de escolarização precoce, as crianças de um modo geral estão muito doentes: depressão, dores de barriga, dores de cabeça, pedra nos rins, pneumonia, cansadas, entediadas, tristes apáticas… O que estamos fazendo com nossas crianças?
As crianças aprendem pelo movimento e pela repetição. Se quiser que ela atenda uma ordem faça o que quer que ela faça: coma você com a boca fechada se quer que assim o aprenda; fale você mais baixo; feche a porta você sem bater; escove você os dentes com a torneira fechada; seja você carinhoso com ela, e assim por diante. Na infância as crianças aprendem pela IMITAÇÃO do que você faz e não pela palavra, pelo sermão. Mas, é óbvio que precisamos conversar com ela para que aprender a falar; mas devemos saber o que falar e o que não falar.
Deixe que a criança descubra o mundo por si mesma, vivenciando-o; experimentando-o; incorporando-o e, sobretudo, aprendendo ao vivo e não através da mídia. Promova-lhes as oportunidades. Quanto mais a criança descobrir por si através do movimento, do equilíbrio e dos seus órgãos dos sentidos, mais ela fará conexões nervosas e quanto mais sinapses ele tiver feito na infância por ela mesma mais espaço no cérebro ela terá para a aprendizagem posterior cognitiva.
http://www.antroposofy.com.br/wordpress/por-que-nao-explicar-tudo-para-a-crianca-pequena/#sthash.xg1BKNA5.dpuf

Frédérick Leboyer e o parto sob ponto de vista do bebê



Frédérick Leboyer é um obstetra francês, muito conhecido por sua maneira inovadora de abordar o parto: ele foca na experiência do nascimento do ponto de vista do bebê. Para Leboyer, nascer é uma experiência inerentemente dolorosa e possivelmente traumática, e a maneira como os partos são conduzidos e os bebês recebidos dentro das maternidades são uma requintada forma de tortura infantil. Em seu livro Nascer Sorrindo (Birth Without Violence - 1975), Leboyer propõe uma outra forma de receber os bebês no mundo: uma forma mais sensível e respeitosa de seu ritmo e sensibilidade. Leboyer foi um dos primeiros obstetras a propor uma mudança radical na maneira em que os partos eram conduzidos dentro das unidades hospitalares, e é hoje conhecido como um dos pioneiros da Humanização do parto.

A partir da observação do bebê no momento do nascimento, Leboyer chegou a duas conclusões principais:

1) o bebê não é um ser passivo, sem consciência, que não sente nada ao nascer. Pelo contrário: ele é ativo e extremamente sensível, vivendo cada experiência de maneira intensificada pela ausência de raciocínio lógico; 
2) a maneira como o sistema obstétrico recebe o bebê é extremamente violenta e possivelmente traumática.
Em 1975, Leboyer já propunha outra maneira de receber a criança no mundo: uma maneira menos agressiva para seus sentidos e sensibilidade. No Brasil, sua teoria é conhecida pelo menos desde 1979.

Segundo Leboyer, o ambiente ideal para o nascimento seria aquecido, para que o bebê não sofra choque térmico ao nascer, teria pouca luz e pouco ruído, para não machucar seus olhos e ouvidos, e o parto não deveria ser apressado, para respeitar o tempo de transição do bebê para o mundo aqui fora.

Ao nascer, o bebê deveria ser manipulado com cuidado, e colocado imediatamente sobre a barriga de sua mãe, para ser aquecido naturalmente e acalmado em um ambiente (o único) que lhe é familiar: sua mãe. O cordão umbilical não deveria ser cortado imediatamente, para não precipitar a respiração da criança, e portanto não é imprescindível que a criança chore imediatamente ao nascer.

O nascimento, segundo a visão de Leboyer, deveria ocorrer em um ambiente protegido, onde a mulher e o bebê se sintam em segurança para conhecer-se um ao outro, sem interrupções.

http://adeledoula.blogspot.com.br/2014/01/inspiracao-frederick-leboyer.html

sábado, 25 de outubro de 2014

Andador: perigoso e desnecessário - Por Danilo Blank


No dia 7 de abril de 2007, o Governo do Canadá proibiu a comercialização de andadores para bebês em todo o país, determinando a total proibição de sua venda, revenda, propaganda e importação. Considerou também ilegal vender andadores em vendas de garagem, mercados de pulgas e no comércio ambulante. Recomendou ainda às pessoas que destruíssem e descartassem todos os andadores.
Tal fato reacendeu uma velha controvérsia entre pediatras e pais: o andador é, afinal, uma inocente fonte de prazer e liberdade para os bebês ou uma arma travestida de produto infantil por meio da qual infligimos traumatismos físicos às inocentes criaturinhas?
A verdade é que o andador continua a ser muito popular e, contra as recomendações usuais dos pediatras, é utilizado por cerca de 60 a 90% dos lactentes entre seis e quinze meses de idade. Os motivos alegados pelos pais para colocarem seus bebês em andadores incluem: eles dão mais segurança às crianças (evitando quedas), independência (pela maior mobilidade), promovem o desenvolvimento (auxiliando no treinamento da marcha), o exercício físico (também pela maior mobilidade), deixam os bebês extremamente faceiros e, sobretudo, mais fáceis de cuidar.
Entretanto, nos últimos tempos a literatura científica tem colocado por terra todas estas teses. A idéia de que o andador é seguro é a mais errada delas. Há poucos meses, uma pesquisadora sueca, Ingrid Emanuelson publicou uma análise dos casos de traumatismo craniano moderado em crianças menores de quatro anos, que considerou o andador o produto infantil mais perigoso, seguido por equipamentos de playground.De fato, ao longo de mais de trinta anos, as revistas médicas têm chamado a atenção para o grande risco do andador, que anualmente causa cerca de dez atendimentos nos serviços de emergência para cada mil crianças com menos de um ano de idade. Isto corresponde a pelo menos um caso de traumatismo para cada duas a três crianças que utilizam o andador. Um terço dessas lesões são graves, geralmente fraturas ou traumas cranianos, necessitando hospitalização. Algumas crianças sofrem queimaduras, intoxicações e afogamentos relacionados diretamente com o uso do andador, mas a grande maioria sofre quedas; dos casos mais graves, cerca de 80% são de quedas de escadas. Nos Estados Unidos, num período de 25 anos, foram registradas 34 mortes causadas por andadores, um número nada desprezível.
É verdade que o andador confere independência à criança.Contudo, todos os especialistas em segurança infantil justamente insistem que um dos maiores fatores de risco para injúrias físicas é dar independência demais numa fase em que a criança ainda não tem a mínima noção de perigo. É consenso que a capacidade de autoproteção só é adquirida a partir dos cinco anos de idade. Colocar um bebê de menos de um ano num verdadeiro veículo que pode atingir a velocidade de até 1 m/s equivale a entregar a chave do carro a um guri de dez anos. Crianças até a idade escolar exigem total proteção.
O andador atrasa o desenvolvimento psicomotor da criança, ainda que não muito. Bebês que utilizam andadores levam mais tempo para ficar de pé e caminhar sem apoio. Além disso, engatinham menos e têm escores inferiores nos testes de desenvolvimento.
O exercício físico é muito prejudicado pelo uso do andador, pois, embora ele confira mais mobilidade e velocidade, a criança precisa despender menos energia com ele do que tentando alcançar o que lhe interessa com seus próprios braços e pernas.
Por fim, trata-se de uma grande falácia dizer que a satisfação e o sorriso de um bebê valem qualquer risco.
Defendendo esta idéia, um pai chegou a sugerir que se os pediatras conseguirem que os andadores sejam proibidos, como aconteceu no Canadá, a seguir vão querer proibir patins, skates e bicicletas, terminando com a alegria da criançada. Evidentemente, uma coisa não tem nada a ver com a outra.Bicicletas, skates e patins são brinquedos para crianças mais maduras, que já têm condições de aprender as noções de segurança e responsabilidade e, por isso, podem se arrojar em atividades com maior risco. Ainda assim, é sempre importante lembrar que os devidos equipamentos de segurança, como capacete de ciclista, cotoveleiras e joelheiras, precisam ser sempre usados. Um bebê de um ano fica radiante com muito menos do que isso: basta sentar na sua frente, fazer caretas para ele e lhe contar histórias ou jogar uma bola. Dizer que o andador torna uma criança mais fácil de cuidar revela preguiça, desinteresse ou falta de disponibilidade do cuidador. Por outro lado, caso um adulto realmente não tenha condições de ficar o tempo todo ao lado de um bebê pequeno, é mais seguro colocá-lo num cercado com brinquedos do que num andador.Vários estudos já mostraram que cerca de 70% das crianças que sofreram traumatismos com andadores estavam sob a supervisão de um adulto. Ou seja, nem todo mundo reage a tempo de conter um diabinho que dispara pela sala a 1 m/s. A supervisão constante da criança constitui a chamada proteção ativa, que costuma ser muito falha. O melhor é cercá-la de um ambiente protetor, com dispositivos de segurança, como grades ou redes nas janelas; estas são medidas de proteção passiva, muito mais efetiva. O andador definitivamente não se enquadra neste esquema.
Enfim, sabe-se que existe hoje em dia um movimento muito intenso na Europa e nos Estados Unidos no sentido de que legislações semelhantes à canadense sejam aprovadas e postas em prática, uma vez que todas as estratégias educativas têm falhado na prevenção dos traumatismos por andadores.Enquanto este progresso não chega ao Brasil, continuamos contando com o bom senso dos pais, no sentido de não expor os bebês a um produto perigoso e absolutamente desnecessário.
Para os interessados em informações mais detalhadas sobre o assunto:
· American Academy of Pediatrics. Committee on Injury and Poison Prevention. Injuries associated with infant walkers. Pediatrics.
2001;108:790-2. http://pediatrics.aappublications.org/cgi/content/full/108/3/790.
· Taylor B. Babywalkers. BMJ. 2002;325:612. http://bmj.bmjjournals.com/cgi/content/full/325/7365/612.
· Health Canada. Baby Walkers (Banned) & Stationary Activity Centres. http://www.hc-sc.gc.ca/cps-spc/child-enfant/equip/walk-marche-eng.php

sexta-feira, 24 de outubro de 2014

Pontos de vista antropológicos relativos à febre


   Se quisermos entender a febre, teremos de estuda-la em relação com outras formas de expressão do calor. Nestas formas, o calor se revela não só como algo que pode ser "medido" com o termômetro, mas também como expressão de atividade anímica e espiritual: sentimos um "calor" ao ver uma pessoa querida. Do mesmo modo, podemos sentir o calor inundar nosso corpo até a ponta dos pés ao relampejar de uma ideia ou quando do entusiasmo por um ideal. Também a raiva e a vergonha fazem com que o calor suba à face, deixando-a rubra, o que nem sempre nos agrada. Em situação de susto, de medo e mesmo num ambiente de ódio, inveja, insatisfação e preocupação, a circulação sanguínea literalmente "estanca" em nossas veias. Sob certas circunstâncias, ficamos frios e pálidos. Falamos de "atitude gélida", "frieza reservada" e "calor humano" com o qual alguém nos vem ao encontro quando está interessado e aberto.
 
  Nossa capacidade de desempenho, tanto física como mental, depende de uma temperatura ideal de aproximadamente 37 graus Celsius, mantida pela capacidade de regulação térmica do corpo. Pela transpiração eliminamos o calor excessivo e, do mesmo modo, ao sentir frio procuramos aumentar a temperatura do nosso corpo com tremores musculares e batendo os dentes. Nem transpirando nem tremendo de frio conseguimos pensar e agir concentradamente.

   Todos os processos da Natureza também são impregnados por um certo grau de calor. Este grau decide se a matéria será, por exemplo, líquida, sólida ou gasosa. Somente o calor permeia todos os reinos da existência, podendo provocar a passagem de um estado a outro. O calor que, no organismo humano, é regulado por intermédio da circulação sanguínea tem participação decisiva nos processos metabólicos. É da temperatura apropriada que depende o fato de algo "continuar em circulação" , "ser depositado", "aerizado" ou "queimado".

   Desse ponto de vista, o calor não é apenas uma expressão de nossas atividades anímicas e físicas, mas também seu agente. Emoções podem causar uma aceleração da circulação sanguínea. Ao contrário, o calor gerado pelos processos metabólicos pode aumentar a capacidade de desempenho. Podemos designar o conjunto de processos térmicos, tanto físicos quanto anímicos, por "organismos térmicos", por haver entre eles uma interação e interligação como no organismo vivo. A natureza unitária do calor, vivenciada anímica ou fisicamente pelo eu, faz com que este possa sentir-se, em seu calor, como um ser completo em si. Calor físico, anímico e espiritual fazem-no atuar nessas três regiões. Por este motivo podemos dizer também que o organismo térmico é o suporte para o eu humano e sua natureza (Rudolf Steiner). Como toda e qualquer moléstia está envolvida com uma alteração do organismo térmico, o eu é sempre diretamente atingido e "engajado" no processo.

   Febre é uma modificação, sob forma de crise, da constituição térmica, podendo ser provocada pelas mais diversas causas. No caso de crianças, a causa pode ser uma festa de aniversário, uma viagem demorada, uma mudança de tempo, um resfriado mal-curado ou um dentinho por nascer. Todos esses acontecimentos podem afetar o organismo e também ensejar a instalação de focos de doenças. Há então tipos bem característicos: a criança que "nunca" tem febre, a criança cuja febre se eleva gradativamente, a criança com ataques curtos e repentinos de febre muito alta. Há famílias inteiras cujos filhos já estão "de molho" na cama enquanto os filhos da vizinha ainda brincam alegremente nas poças de água que a chuva deixou. Então acontece uma inversão de papéis, e aquele que levou mais tempo para adoecer poderá ser acometido mais seriamente pela infecção. No caso de adultos, existem ainda outras características: um indivíduo que trabalha duramente, porém em bom ritmo e gostando do seu trabalho, talvez esteja menos propenso a gripes do que outro que necessita frequentemente "espairecer". Será que o primeiro deles pode movimentar mais atividade térmica permeada pelo eu? Poderia a febre ser também uma tentativa de intervenção do anímico-espiritual para fortalecer temporariamente o corpo físico ou criar um substituto para uma atividade anímica precária?

   O exemplo a seguir é bem elucidativo: Um recém nascido é a "cara do avô". Tempos depois, talvez se constate que "agora está muito parecido com mãe". E após uma doença acompanhada de muita febre, os pais descobrem em seu filho um novo traço, que não tem similar na família. Ficam felizes ao ver mais claramente, agora, a personalidade do seu filho. A febre auxilia o eu a tornar o seu corpo físico mais "conveniente" a que ele possa expressar-se por seu intermédio. Quem considera esta relação evidente acompanha os estados febris de seus filhos com interesse totalmente diverso, já não os considerando uma infelicidade. Parecem-lhe muito mais uma chance, para a vontade da criança, de individualizar seu corpo físico a partir de seu próprio calor, representante do eu. No aspecto puramente exterior, isto se revela pela rápida recuperação do peso que toda criança perde durante o período da febre. Tem-se a impressão que ela se desfez de uma parte do corpo físico herdado, edificando-o novamente sob o comando de seu próprio organismo térmico. Tivemos a comprovação disso inúmeras vezes, no consultório médico. Vimos como uma gripe com febre alta, uma pneumonia bem curada ou até sarampo serviram de partida para uma fase nova e estável no desenvolvimento da criança. 

   Este efeito da febre no corpo físico é perfeitamente comparável ao de um bom método pedagógico no âmbito anímico: a criança aprendeu algo por esforço próprio. Antipedagógico seria, por exemplo, dizer constantemente: "Faça isso, faça aquilo, não pode, não mexa". Infelizmente, muitos pais, baseando-se em conselhos médicos, tomam atitudes, nos casos de febre, que correspondem a essas atitudes antipedagógicas: mal a temperatura se eleva acima de 38,5 graus Celsius é aplicado um antitérmico na criança. E sendo constatado um foco infeccioso, imediatamente é acrescentado um antibiótico. Em tal caso, não resta ao organismo nenhum espaço, nenhuma possibilidade de lidar po si próprio com a doença. Além disso, a tal organismo faltará, em situação verdadeiramente crítica. a "elasticidade", o "treino" para desincumbir-se de tarefas bem mais sérias do que infecções febris.

   Sabe-se que existem reações dramaticamente exageradas no decurso de algumas doenças, como s convulsões febris descritas, e também que pode haver processos patológicos causadores de danos no desenvolvimento. A verdadeira preocupação na medicina é fazer frente a esses processos. No entanto, como vimos, não nos devemos enganar quanto ao risco efetivo da simples convulsão febril: de um total de cem crianças, apenas cinco tiveram uma convulsão febril durante a infância. Essas mesmas cem crianças, no entanto, tiveram em sua totalidade cerca de 500 infecções acompanhadas de febre alta. Isto equivale a dizer que uma moléstia precisaria ser tratada quimicamente cerca de 500 vezes para, profilaticamente, evitar possíveis cinco convulsões febris. Vimos, por fim, no primeiro exemplo de convulsão febril, que frequentemente a febre pode só ser constatada após a convulsão. Em tais casos, já seria tarde demais para a utilização do antitérmico.

   Quem, ao tratar de uma doença, se orientar pela situação evolutiva da criança, tanto se oporá ao uso indiscriminado de medicamentos antitérmicos como não será radicalmente contra sua aplicação. Pois qualquer tratamento da febre que não avalie adequadamente a atividade própria do organismo infantil trará prejuízos para seu desenvolvimento. Do mesmo modo como uma criança "precisa" da elevação de temperatura para intensificar sua atividade metabólica, podendo assim "trabalhar" em sua constituição físico-orgânica, no caso de outra é preciso evitar que ela se debilite muito por uma reação febril exagerada. 

   É gratificante perceber quando no seio de uma família ressurge a confiança nas foças de uma criança que, após ter sofrido uma primeira convulsão febril, na próxima infecção supera uma febre de até 40 graus Celsius sem convulsão. Ela "aprendeu" a lidar com a febre. Esperamos que tal colaboração criteriosa entre pais e médicos, orientada para a criança individual, venha a propagar-se cada vez mais.

Capítulo Doenças da Infância e seus Sintomas do Livro Consultório Pediátrico - Um Conselheiro Médico-Pedagógico